Meu nome é Caroline
"Pequena e sem importância é a obra do artista quando comparada à do pai ou da mãe. Um lida com material inanimado, no qual amolda belas formas; mas o outro trata com um ser humano, cuja vida pode ser amoldada para o bem ou para o mal; para abençoar a humanidade ou para amaldiçoá-la; para andar nas trevas ou a fim de viver para sempre num mundo futuro sem pecado (Pacific Health Journal, Maio de 1890).
Sabe aqueles dias em que você não se anima nem com uma barra de chocolate? A pilha de louça se amontoa na pia, as roupas chegam até ao teto na lavanderia, e você ainda se vê cercada por duas crianças, que precisam da sua atenção 24 horas por dia?! (Sim! 24 horas, porque nem com elas dormindo você descansa. Afinal, se você sente frio, levanta da cama na hora para ver se elas estão passando frio também, etc...).
Pois bem, estava passando por uma turbulência dessas. Minha menina mais velha tem 3 anos e 8 meses. Desde que a bebê nasceu, o lado maternal dela se intensificou. Vez ou outra a pego "dando mama" no seu próprio peito para sua boneca; fazendo dormir e assim por diante. Mas ela não gasta todo o tempo nessa brincadeira. No final do dia, sinto que as forças se foram, pois literalmente dou meus nutrientes para a neném, dou atenção e ensino constantemente a mais velha, faço todos os trabalhos da casa e ainda atenção para o maridão! Ufa!
E nesse furacão, acabo pensando se vale à pena realmente mantê-la em casa, só comigo. Eu parei de trabalhar fora desde que ela nasceu. De vez em quando faço alguns trabalhos freelance em casa, mas nada com renda fixa. E é claro que isso faz falta. Mas acredito que não há benefício maior e dinheiro que pague a educação que estou dando para minhas meninas. Me corta o coração já saber da obrigatoriedade da educação infantil aos 4 anos (mas vamos deixar esse assunto para um próximo post).
Quando tudo parece que vai "descambar" e a alegria se esvai, vejo minha menina com sua bebê pra cima e pra baixo; cuidando, amamentando, levando pra passear. Invento de perguntar o nome da sua filha:
_ É Lisie mamãe (que é o nome dela).
_ E o seu nome, qual é? (pergunto já sabendo a resposta).
_Ué, é Caroline! (que é o meu nome).
Nunca tinha dado importância para essa frase. Até que as escamas caíram dos meus olhos, e percebi a lição maravilhosa que ela estava querendo me ensinar. Ela me admira tanto (inconscientemente) que quer ser eu! Tanto que em todas as suas brincadeiras, ela agora tem meu nome, tem duas filhas (como eu) e o nome do seu esposo é o nome do pai.
Quando a "ficha caiu", só pude agradecer a Deus o privilégio de poder ser o exemplo e modelo para minha filha. A cada dia, nos momentos livres, peço a Ele orientação para que ela continue querendo ser eu por muito tempo!
Lágrimas enchem meus olhos, quando a ouço dizer: "Meu nome é Caroline".

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